Coletivo Baque Mulher Maringá abre V Colóquio de Feminismo Negro com apresentação cultural

O Baque Mulher é um movimento de abrangência nacional, fundado por Mestra Joana Cavalcante, primeira mulher à frente de uma Nação de Maracatu de Baque Virado, o Encanto do Pina. A proposta do Baque Mulher é de ter uma bateria formada exclusivamente por mulheres, uma vez que a nossa presença e participação dentro do Maracatu por muito tempo esteve restrita à dança e corte real. O Baque Mulher tem como finalidade o encontro de mulheres por meio do Maracatu visando, muito além do fator percussivo, a troca de experiências relacionadas ao universo feminino, à espiritualidade e o protagonismo na luta contra o machismo, o racismo e a intolerância religiosa. Em Maringá a história desse grupo se iniciou há cerca de um ano, quando aproximadamente dez mulheres deram início a campanhas de arrecadação para custear as estruturas necessárias para um grupo de Maracatu. Com feijoadas, rifas e bingos arrecadamos dinheiro suficiente para comprar alguns instrumentos e adquirimos materiais para confecção de outros. Por meio de uma vivencia com a batuqueira Vanessa Gardim, do RJ, e seus conhecimentos de marcenaria, confeccionamos nós mesmas todos os nossos tambores. Confeccionamos também todos os nossos agbes, instrumento sagrado dentro do candomblé, produzido através de uma cabaça revestida com uma rede de miçangas, em de oficinas ministradas pela batuqueira Laís Fialho. Os instrumentos e o figurino do grupo carregam as cores de nossas orixás patronas, o rosa de Iansa e o Laranjá de Obá. Desde novembro estamos realizando oficinas de toque, canto e dança, para iniciantes, e outras atividades em parceria com alguns coletivos e comunidades de terreiros. Acreditamos na força deste movimento e na união de mulheres na luta contra machismos, racismos, elitismos e transfobias.

O Baque Mulher Maringá abre o V Colóquio de Feminismo Negro no dia 24/07.

Texto: Laís Fialho